Um diagnóstico de presença digital analisa quatro coisas antes de qualquer decisão visual: o que o negócio decidiu ser, quem precisa encontrá-lo, o que essa pessoa consegue ver para confiar e o que aparece quando ela pesquisa. O layout vem depois, e cada escolha de tela responde a um desses quatro pontos. Este artigo mostra o que entra em cada um e o que dois diagnósticos reais encontraram.
Por que o layout não vem primeiro
“Me mostra como vai ficar” é a frase mais comum da primeira reunião. É também a mais cara.
Mostrar antes de entender é chutar. O chute pode acertar. Mas ninguém contrata um projeto para depender de sorte, e um site bonito que nasce com os problemas do antigo custa mais do que o antigo: agora os problemas estão escondidos atrás de um visual novo, e o cliente só descobre quando o resultado não aparece.
Por isso o primeiro entregável da Wisionary Lab é uma lista de problemas. Nenhuma tela antes dela.
Os quatro pontos do diagnóstico
1. Posicionamento: o que o negócio decidiu ser
Antes de qualquer cor, o diagnóstico pergunta o que a empresa quer que a pessoa entenda em cinco segundos. Uma clínica que atende convênio e particular comunica uma coisa. A mesma clínica, quando decide ser referência em um procedimento, comunica outra. Site, logo e textos ficam diferentes em cada caso.
Quando o posicionamento não está decidido, o site tenta falar com todo mundo. É o site que lista doze serviços na primeira dobra e não convence ninguém de nada.
2. Público: quem precisa encontrar o negócio
Não é “quem compra”. É quem pesquisa, quem indica, quem decide. Muitas vezes são pessoas diferentes.
No site de uma ONG que a Wisionary Lab redesenhou, a Casa do Cardíaco, havia três públicos com perguntas que não se cruzavam: o doador, que quer contribuir com confiança; a família do paciente, que precisa entender como funciona o acolhimento; e o assistente social de outro estado, que precisa encaminhar alguém. Um site só, três páginas de entrada diferentes. Isso só aparece quando alguém senta para listar quem chega e por quê.
3. Prova: o que a pessoa consegue ver para confiar
Em serralheria, o cliente quer ver portão pronto antes de chamar alguém para medir. Em odontologia, quer ver o antes e depois. Em advocacia, quer entender se o escritório já lidou com um caso como o dele.
O diagnóstico lista que prova existe e onde ela está. Com frequência a prova existe e está no lugar errado: no WhatsApp do dono, numa pasta do celular, numa avaliação do Google que ninguém trouxe para o site.
4. Busca: o que aparece quando alguém pesquisa
O último ponto é o mais simples de testar e o mais ignorado. Pesquisar o nome do negócio no celular, em aba anônima, e olhar o resultado com os olhos de quem nunca ouviu falar dele.
O diagnóstico registra o que aparece e o que não aparece: se há site, se o perfil do Google está ativo, se o nome compete com outro mais conhecido, se o site abre no celular, se o navegador mostra cadeado ou aviso de “não seguro”. Nenhum desses itens é design. Todos eles decidem se a pessoa liga.
Dois diagnósticos reais
Domenick Soldas, serralheria em Embu das Artes. O trabalho tinha qualidade e os clientes aprovavam, mas a empresa só existia nas redes sociais. O diagnóstico encontrou quatro lacunas: sem endereço próprio na internet, fora da busca local (perfil do Google inativo), sem identidade visual e portfólio sem vitrine. Nenhuma das quatro era problema de layout. A primeira decisão do projeto saiu da lista: cada obra entregue ganharia uma página própria, com o serviço e o bairro no título, para funcionar como prova e como busca local ao mesmo tempo.
ANAC, Casa do Cardíaco, ONG que desde 1963 hospeda pacientes cardíacos de baixa renda em São Paulo. O diagnóstico encontrou quatro problemas: sem versão para celular, num público que acessa de dentro do hospital; conteúdo escrito para repetir palavra-chave, uma prática de outra época; canal de doação que era um banner com dados bancários; e a sigla ANAC, que no Google devolvia só a Agência Nacional de Aviação Civil. Dois desses quatro não são design. O site foi reconstruído com o Caio Garcia no UX/UI, e cada decisão de tela respondia a um dos quatro itens.
Os dois cases, com os detalhes, estão em wisionarylab.com/cases.
O que o diagnóstico entrega
Um documento curto. Para cada um dos quatro pontos, o que foi encontrado, por que importa para esse negócio e o que o projeto vai fazer a respeito. Em ordem de prioridade.
Com a lista pronta, o layout deixa de ser gosto. Cada tela tem um motivo que dá para explicar em uma frase. E quando o cliente pede uma mudança, a conversa volta para a lista, não para a opinião.
Como pedir um diagnóstico
O diagnóstico da Wisionary Lab começa por uma conversa de 30 minutos. Você conta o que o negócio entrega; a gente conta o que a presença digital dele mostra hoje. Se o que você entrega é melhor do que o que aparece, esse é o ponto de partida.
